quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Lua


A lua nasceu a sorrir!
Sorrateira, surge de trás de um monte, carregando um sorriso daqueles que vemos nas crianças, mesmo antes de engolir uma enorme guloseima, cheia de cores inimagináveis e de sabor a anis.
Vem tão alegre e estonteante com os seus dentes de marfim, que por pouco não me via aqui, cá em baixo, perto da nossa ribeira, que sempre partilhei com ela em noites como esta.
Olhou-me , e com seu ar bonacheirão soltou uma grande gargalhada, cheia de um brilho intenso, que por pouco me cegava... Era forte a sua luz!
Cumprimentei-a com um ar demasiado solene, o que apenas serviu para lhe arrancar mais uma sonora gargalhada, ainda mais intensa do que a primeira...
Não percebi muito bem aquele alarido todo, por isso não correspondi. Parecíamos duas pessoas, de diferentes nacionalidades, a tentar comunicar através de gestos, mas sem grande sucesso...
Não a percebia! Ou ela não me percebia a mim!!
Talvez deva tentar de novo.
E assim o fiz, mas para meu espanto o resultado foi idêntico...
Desisto!!
Sentei-me numa pedra, mesmo junto à margem, de modo que pude ver o meu reflexo na água, que deslizava suavemente morro abaixo.
Eh pá.... que grande susto apanhei.
Um menino mal encarado, olhava-me fixamente nos olhos, sem dizer uma palavra.
Fez-se silêncio!
Só após alguns momento, depois de me restabelecer, percebi que afinal era apenas eu, ou pelo menos a minha imagem, que sem motivo algum, carregava um semblante fechado.
Não sei de onde veio, ou como cá chegou, mas a verdade é que estava bem presente.
E não era um bonito espectáculo!
Pus-me a pensar...
Senti-me um pouco ridículo, até mesmo atrapalhado!
Pensei mais um pouco...
Nada...
Decidi sentir...
Senti a minha presença...
e assim sorri...
pois finalmente percebi, a reacção da minha amiga Lua...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Objectores de Consciência

"Vocês não têm inimigos. Gente que provém doutras crenças, culturas ou raças não são os vossos inimigos. Não existe razão de lutar contra eles. Aqueles que vos mandam para a guerra não o fazem pelos vossos próprios interesses mas sim pelos interesses deles próprios. pelo lucro deles, o poder deles, a vantagem deles, o luxo deles.
Porquê é que vocês lutam por eles? Vocês participam no seu lucro?
Vocês participam no poder deles?
Participam no luxo deles?
E contra quem é que vocês lutam?
Os assim chamados inimigos causaram–vos algum sofrimento?
Cassius Clay recusou lutar no Vietname. Disse que os Vietnamitas não lhe tinham feito nada de mal. Ou vocês GI´s: Os Afeganistãos, os Iraquianos, os Iranianos fizeram-vos algo de mal? Ou vocês jovens russos: Os Tchetchenos fizeram-vos algo de mal? E se sim, sabem quanto mal o vosso governo lhes fez? Ou vocês jovens israelitas: Os palestinos fizeram-vos algo de mal? Se sim, sabem o que o vosso governo fez a eles? Quem é quem causou a injustiça que deverá ser combatida por vocês? Sabem quais os poderes aos quais vocês servem quando andam com tanques através dos terrenos ocupados?
Quem no Mundo gera a injustiça para cujo suposto combate os jovens são mandados à guerra? São os vossos próprios governos, os vossos próprios legisladores, são os líderes dos vossos próprios países.Vocês servem o mundo dos bancos, das grandes multinacionais e dos militares se seguirem as suas ordens de guerra. Vocês querem realmente apo­iar o mundo deles?
Se não o quiserem, então ignorem o serviço de guerra. Ignorem-no com tanta persistência e tanto poder que já não vos irão buscar. “Imaginem que houvesse uma guerra e ninguém lá fosse.“ Ninguém no Mundo tem o direito de obrigar outro à guerra.Se eles querem recrutar-vos para o serviço de guerra dêem a volta à lança. Escrevam-lhes onde e quando eles têm de aparecer, com que meias e cuecas e camisas devem, por favor, alinhar. Deixem indubitavelmente claro que, a partir de agora, eles mesmos têm de ir à guerra se quiserem impor os seus interesses sujos. Utilizem as vossas relações, os vossos média, a vossa juventude e o vosso poder para inverter o sentido à lança. Se eles querem a guerra, eles mesmos que se metam nos tanques e nas trincheiras, eles mesmos que andem sobre campos minados e se deixem esfarrapar por armas schrapnell.
Já não haveria guerras na Terra se fossem aqueles que as causam os que tivessem que combater as batalhas e se fossem eles os que experimentassem na própria carne o que significa ser mutilado ou queimado, morrer de fome ou de frio, desmaiar de dores. Guerra é o contrário de qualquer direito humano. Quem ordena à guerra nunca tem razão. Guerra é a geração activa de sofrimentos infinitos: crianças esmagadas e queimadas, corpos esfarrapados, comunidades de aldeias destruídas, membros de famílias perdidos, amigos ou companheiros perdidos, fome, frio, dor e fuga, crueldade contra a população civil – isso é guerra!
Ninguém tem o direito de ir à guerra.
Antes das leis dos dirigentes existe um Bem legislativo mais elevado: “Não mates.” Recusar o serviço militar é o dever moral de todos os seres humanos corajosos. Façam-no em multidões e façam-no até mais ninguém ter vontade de ir à guerra. É uma honra objectar-se ao serviço militar. Mostrem esta honra até ela ser reconhecida por todos. O uniforme é o traje de tolo dos servos. As ordens e a obediência são a lógica de uma cultura que tem medo da liberdade. Quem estiver disposto a participar na guerra, mesmo se for apenas o serviço obrigatório, torna-se culpado como cúmplice. Seguir a obrigação do serviço militar não se ajusta a nenhuma ética. Enquanto formos seres humanos temos de trabalhar com todos os meios para que essa loucura termine. Não poderá existir um mundo humanitário enquanto o serviço militar for aceito como uma obrigação da sociedade.
O inimigo: são sempre os outros. Mas reflictam: Se vocês estivessem do outro lado, vocês próprios seriam os inimigos. Os personagens podem inverter-se. “Recusamo-nos a ser inimigos.” As lágrimas que uma mãe Palestina chora pelo seu filho morto são as mesmas que as lágrimas de uma mãe israelita cujo filho faleceu num atentado de bomba.O guerreiro da nova era é um guerreiro da paz.
É preciso ter a coragem de proteger a vida e de ficar brando quando coisas duras são feitas às nossas co-criaturas. Treinem os vossos corpos, fortaleçam os vossos corações, consolidem o vosso espírito, a fim de impor a força suave contra qualquer resistência. É a força suave que supera qualquer dureza. „Make love, not war.“ Esta foi uma frase profunda dos objectores de consciência norte-americanos nos tempos da guerra do Vietname. Que essa frase entre em todos os corações jovens. E que todos nós encontremos a inteligência e a força de vontade de segui-la para sempre. Em nome do amor. Em nome da protecção de todas as criaturas. Em nome do calor para tudo o que tem pele e pêlo.
Venceremos."
Dieter Duhm

Visita a Tamera


Foi no passado dia 31/01 que me desloquei ao Biótipo de Cura - Tamera, para uma visita guiada de apresentação do projecto de criação de um modelo de Paisagem Aquática para o Baixo Alentejo.

Foi uma experiência sem dúvida enriquecedora, não só pelos conceitos apresentados, mas também pelo contacto directo com uma comunidade, dedicada a desenvolver valores comunitários com base na compreensão, paz e amor.

Obrigado a todos, por dedicarem a vossa vida a uma causa tão nobre, e por terem a coragem de continuar a acreditar nela!


"A Ecologia é o tema central num modelo global para uma Aldeia de Pesquisa pela Paz, especialmente numa altura em que a destruição da paisagem e a desertificação aceleram a uma velocidade vertiginosa. Em estreita cooperação com o especialista austríaco em Permacultura, Sepp Holzer, queremos encontrar respostas para estes problemas. Por essa razão, em Tamera (uma propriedade no Baixo Alentejo com 134 ha) está a ser desenvolvida uma paisagem aquática e um modelo de Permacultura que podem oferecer as respostas às seguintes questões ecológicas e sociais:

Como é um modelo de aldeia, não-violento e ecológico compatível com a vida dos seres humanos no planeta Terra?
Como se pode solucionar a questão da água de modo a haver água suficiente para todos e ao mesmo tempo melhorar a fertilidade do solo?
Como podem os seres humanos, animais e plantas co-existir em cooperação e harmonia?
Como se pode desenvolver a nível regional um modelo de auto-suficiência alimentar?"

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O Gueto de Gaza







Porque as minhas palavras nunca conseguiriam exprimir tão revoltosa barbárie, aconselho vivamente que leiam a reportagem "O que aconteceu em Gaza", da jornalista Alexandra Lucas Coelho. E como lá diz o ditado "Quem não sente não é filho de boa gente...", no mínimo retirem 5 min. das vossas rotinas atarefadas para meditar sobre o conteúdo do mesmo!

E agora Sr. Presidente?


Barack Hussein Obama II tomou posse como o 44º Presidente dos Estados Unidos da América, sendo o primeiro negro na história deste país, a conseguir tamanho feito, quebrando uma série de preconceitos racistas, enraízados no cerne desta nação. Para além deste pequeno feito, e devido à profunda crise financeira, económica, social e ambiental que assola os EUA e o Planeta em geral, tem-se colocado uma enorme esperança na sua actuação enquanto líder nacional e mundial, nomeadamente na mudança de políticas de interesses, suportadas pelo medo e submissão, que beneficiam unicamente os lobies e a sua busca incessante e destruidora pelo lucro máximo, em prejuízo dos valores humanos, ambientais e universais.

Espera-se pela abertura de fronteiras físicas e ideológicas que a longo prazo facilitem o entendimento entre os diferentes povos, e a consequente dinamização da harmonia planetária, valor indispensável para a Paz e Fraternidade entre todos. Anseia-se pelo respeito à Mãe Terra e à sua idêntidade natural.
Apesar dos milhares de dificuldades que se atravessam no seu caminho, não podemos desistir, pois é chegado o momento de não poder esperar mais, de dizer basta à demência geral, e sermos parte de um movimento colectivo que suporte os momentos de mudança e justifique o empenho de visionários na conquista de uma nova realidade.
Que Deus nos dê coragem de abrirmos os olhos, pois a luz precisa de ser vista...

Tamera


"Quem não quer Guerra precisa de uma visão para a Paz

O Biótopo de Cura 1- Tamera, no sul de Portugal, é um espaço experimental de formação para o desenvolvimento de Aldeias de Pesquisa de Paz e Biótopos de Cura em todo o Mundo. Segundo o lema “Pensar localmente, agir globalmente“, cerca de 200 pessoas vivem, trabalham e estudam em Tamera. O objectivo de Tamera é estabelecer um modelo para uma coexistência não-violenta entre seres humanos e entre seres humanos e a Natureza. Os objectivos principais de Tamera são: a formação de jovens no estudo de Paz "Monte Cerro", o estabelecimento de uma "Aldeia Solar”, que produza os seus próprios alimentos e energia, e o trabalho de rede mundial sob o tema de GRACE (Graça)."

Para mais informação visite o site http://www.tamera.org/

Tolerância

E de guerra em guerra se vai fazendo este mundo... Parece-me demasiado complexo perceber as motivações que levam a decisões tão brutais de líderes mundiais, que ofuscados por políticas de interesses e fanatismos irracionais, condenam à morte e ao desamparo, milhares de inocentes.

Todos sabemos que pela lei da causa-efeito, a imposição pela força de um qualquer desígnio, mesmo que por mais honroso que seja, criará desiquilibrios que apenas trarão mais sofrimento, desigualdades e ódios, e inevitavelmente trará uma consequência drástica. É um entendimento lógico do saber universal que se aplica a tudo o que fazemos, o qual é um evidente indicador da demência que experiênciamos enquanto seres vivos. "Se semeias ventos, colhes tempestades", lá diziam os nossos mais sábios... É urgente relembrar os direitos adquiridos pelo ser humano e apelarmos à tolerância, como condição essencial à nossa sobrevivência...