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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sinto-me perdido...


Cheguei a um ponto de total indecisão! Perdido, luto por me manter desperto para as decisões a tomar, de modo a garantir alguma coesão interna que teima em querer partir para parte incerta. Sinto-me levar através do tempo que me tornou ausente, e é cada vez mais difícil evitar a passagem para novas realidades, que de modo algum me são claras, mas que se apresentam perante mim e me obrigam a pensar. Preciso de apoiar-me na bengala do espírito, e aí encontrar o conforto e a calma que necessito... Criar em mim referências interiores que me mantenham à tona da agua. Mas a confusão teima em reinar, e sinto-me desfazer numa antiga clareza que apenas me desilude. A matéria empurra-me nesse sentido, e pede-me resultados lógicos, o espírito mostra-me o caminho contrário, e eu no meio, isolado e desolado, recorro a gritos de silêncio, que me enchem o sonho de ser frágil, e me deixam à deriva no mar eterno...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A minha vida...

Por vezes paro imóvel, por entre a eterna loucura, tentando equilibrar-me no chão onde me transporto. São meros instantes de lucidez, que brotam tímidos por entre as frinchas do meu ego, e me tocam o corpo com movimentos voláteis, de sabor a mel. Só eu estou presente, e tudo à minha volta flutua seguindo o seu trajecto habitual, sem querer imaginar a magia deste lugar, que me abriga e alimenta. É aqui que me procuro, onde a razão é uma mera desilusão e a contagem da vida volta sempre a um princípio. São momentos de coragem, clareza e visão, onde batalhas se travam sem qualquer violência... Provas de amor e total encantamento, onde as armas são feitas de ar e o pensamento, guiado pela moral, conquista louvores por tão memorável desempenho. Quero criar raízes e ficar por aqui, escondido... Mas não posso! Transporto-me de volta, tentando manter-me fiel ao que aprendi, seguro e capaz de me afirmar pelo que sou e não pelo que fazem de mim. Apenas eu, posso mudar a minha vida...
"Cada homem tinha apenas uma vocação genuína: descobrir o caminho que o levava a si próprio (...). A sua missão era descobrir o seu próprio destino - não um destino arbitrário - e vivê-lo em pleno, resolutamente dentro de si. O resto não passava de uma existência possível, uma tentativa de evasão, uma fuga em direcção aos ideais das massas, conformidade e medo da sua própria essência individual."
Demian, de Hermann Hesse