terça-feira, 28 de outubro de 2008

Conhecimento de causa

O peso que carrego sempre encontrou no meu precisar, uma simples razão para pesar... É fácil sê-lo assim, incisivo, gravítico, persistente na sua componente de agrura. Transporto-o por não o saber presente, suporto-o por me sentir ausente da clareza embrionária de quem sofre por querer. Porque continua ele aqui, pergunto com insistência? Não é já tempo de escapar, ganhar asas e voar, planar, gritar, viver... Viagens prometidas, sonhadas e queridas, augúrio da subida, pela escarpa dessa vida em sentido ao céu azul. Por momentos deixa de ser presente, julgo que o conheço e tento distingui-lo. Deixou de ser uma mera ausência de grandeza e pura desilusão, é ele que me carrega pelos trilhos empedrados e me desperta para a beleza do turbilhão. Já não quero fugir... somente aqui, debaixo da carga sofrida, encontro a historia contida de um ser em evolução!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Continuação

Apesar de ter passado algum tempo sem escrever neste espaço, não significa que tenha desistido do meu intuito de melhorar e crescer enquanto ser humano, de modo que possa ir ao encontro de mim e dar um exemplo de vida às pessoas que acharem interessante considerarem-me assim. Continuo ciente que o processo é longo e demorado, mas só assim poderá criar raízes e crescer de forma sustentável no meu coração. É uma aprendizagem baseada na experiência de vida e no que realmente somos enquanto seres materiais e espirituais, pois apenas a coligação é verdadeira. A questão é que, o facto de sermos criados num mundo onde apenas o que conseguimos distinguir através dos nossos sentidos é verdadeiro, acabamos por descurar o espírito na sua essência e a sua educação através do pensamento e actos diários. É essa interiorização e valorização constantes, que nos permite abordar a nossa natureza de aprendizes, e assim entender que tudo passa por uma evolução constante, baseada nos valores mais puros e mais simples que existem na nossa essência. É preciso coragem na mudança e por favor entendam os momentos difíceis, como oportunidades de crescimento e entendimento do caminho a seguir...

Tempo

Quando se diz que o tempo corre ligeiro, abordamos uma questão deveras pertinente. Não tanto pela interpretação e compreensão desse conceito abstracto, que nos serve de linha mestra durante as nossas vidas, mas sim pela maneira como nós nos aprisionamos a essas directrizes e empreendemos sem tréguas, a batalha de nos preenchermos ao máximo com as mais diversas coisas, que não passam de uma mão-cheia de nadas, nunca sobrando espaço para aquilo que de mais simples e preenchedor a vida tem para nos dar. Ainda mais estranho é o facto, de acharmos que essas decisões não são nossas e nos considerar-mos perseguidos e desrespeitados pela sociedade e o mundo em geral. Regras e leis que nos obrigam a seguirmos assim.
Obviamente e infelizmente que também me incluo neste protótipo de ser humano, apesar de me aperceber que estou deveras a tomar decisões erradas e de a cada instante lutar para poder mudar essa situação. Todos os caminhos que seguimos são uma consequência directa das nossas vontades e apenas nós poderemos mudar isso, tentando ao máximo evitar desculpas e razões para não mudarmos nada.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Reencontro

Como podem duas almas gémeas conspirar arduamente para a destruição do elo que alimenta a sua verdadeira identidade? Como é possível dois corpos de luz lutarem contra a força que os une na grandeza de um amor puro e real? Não me parece nada lógico e muito menos natural que deixemos invadir um santuário, e que sejamos nós próprios a mão que indica o caminho e mostra a porta do templo, ajudando na corrupção efectiva dos valores que aí estão enraizados, como pilares de sustentação que protegem a nossa alma dos caçadores furtivos. Minam-se as bases e tudo desmorona... pelo menos aquilo que interessa e importa! Simples desrespeito por nós próprios, falta de coragem de lutar, agrura no modo de actuar... E quando tudo se começa a esvair em pó e a ser levado pelo vento frio da tristeza, surge uma certeza inquestionável vinda de dentro de nós que nos mostra a indivisibilidade da unidade... Um sopro de vida na procura da semente da compreensão entre seres, que sempre viajaram juntos, lutaram juntos e celebraram juntos. Simplesmente foi feito para ser assim. Obrigado por esta oportunidade de voltar a ver o caminho correcto!!
Porto Côvo - FMM

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Violência Doméstica

Que raio de armadilha é esta que aprisiona o caçador? Gerações e gerações de aprendizagem, melhoramentos e acrescentos, numa torrente de boas práticas que nos orientam num objectivo de crescimento contrário. Estilos e coisas, eu tenho e tu não... poderes viciados e receios comuns! O medo transforma-nos em carne, monstros vazios, liberta o ódio, a irracionalidade de nos ferirmos a nós próprios, aos que nos rodeiam, aos próprios filhos... às nossas crianças! Sem piedade, nem apresentando qualquer tipo de dor, apenas destruindo mais uma oportunidade de realmente aprender a sermos felizes. Está tudo muito errado!!!! Não temos o direito de tomar nas nossas mãos o destino dos outros! Não temos o direito de violentar outro ser vivo, quer seja física ou psicologicamente! Parem cobardes... parem de de não serem gente, parem com esse narcisismo que vos alimenta o ego escuro de almas penadas, parem de se arrastar pelos trilhos rochosos da vossa existência... Percebam o alcance de tais actos de crueldade, pois isso afecta-nos a todos os que acreditamos no ser humano, na sua integridade, na sua beleza... Destroi a simplicidade e inocência das crianças, apaga-lhes o direito à vida... apenas porque é demasiado fácil não querer perceber!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Portas fechadas...


Portas fechadas
Sem nenhum sentido
Vontades de ser
Num mundo perdido.
A alma desperta
O corpo desiste
Pensamento que avança
A rocha resiste.
A luta é interna
Sem sentido nenhum
A porta insiste
Sem senso comum.
Mas a mente é mais forte
O jogo tem fim
A porta é aberta
Bem dentro de mim.
Um grito liberto
Nas asas de um sonho
A vida desperta
No meu reencontro.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Ode ao Sofrimento

Olho para ti e contemplo-me.
Vejo a minha alegria nos teus olhos
Choro!
A água afaga-me o rosto
Molha-me o ventre.
Deixo-me levar...
Já não sou gente,
Sou o carrasco de mim
Escondo-me no escuro.
Desisti...
Perco-me sozinho na dor
Cobarde por não lutar
Grito de raiva
Louco por desconhecer,
Que o eu em mim
Nunca esteve em ti!