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domingo, 11 de abril de 2010

EU SOU a Vida e o Caminho, portanto sigam-me...

Porque continuo a expressar alguma raiva em relação à minha mãe, mesmo sabendo que essa emoção nada tem a ver com a sua pessoa, mas com a minha experiência? Porque continuo preso a sentimentos resultantes de uma maternidade um pouco tormentosa, mesmo sabendo que ela apenas existiu para me mostrar que a única verdadeira energia de Mãe reside dentro de mim, e não na representação de outro ser humano? Porque me limito a experiênciar vezes sem conta algo que já não quero, mesmo sabendo que simplesmente tenho a opção de não o fazer, e que não existe nada de errado nessa decisão? Mas se o decido fazer, o que também está certo, porque não recebo as palavras como música, e continuo a atribuir-lhes um sentido baseado no meu passado? Porque me custa tanto assumir essa responsabilidade de cuidar e nutrir-me a mim próprio, sem a necessidade que esse movimento seja de fora para dentro? Porque continuo a olhar para mim como um Ser desprotegido e fraco, que não poderá sobreviver às agruras de uma sociedade sem uma protecção exterior, sabendo que isso me limita na minha expressão Divina de Quem Realmente Sou?
EU SOU um SER Completo, Perfeito, apenas pelo facto de Existir!!
EU SOU a Mãe, o Pai, e tudo o resto que Existe!!
EU SOU a Vida e o Caminho, portanto sigam-me!!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

...

Serpenteio junto às pedras, sem as conseguir abraçar
Ouço as palavras do vento, sem as saber expressar.

Sinto o cavalgar do tempo, em batalhas já perdidas
Espaços que foram roubados, às histórias de outros dias.

A vida é fugidia, do momento presente
Um documentário filmado, num cenário já ausente.

Tudo é um Ser, sem corpo ou emoção
Onde o caminho é o pulsar, da consciência em expressão.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Modo de estar na vida...

Fala-se muito hoje em dia sobre espiritualidade, na forma como através deste processo de auto-conhecimento, percebemos e nos libertamos de todos os tormentos da vida... Como através deste regresso, aprendemos a desligar o interruptor que nos mantém ligados ao correr da vida e todos as suas contingências... E nós como realmente já estamos fartos de sofrer (designação para a experiência, que trás uma expressão dramática e intensa à rotina, e da qual retiramos sempre um ensinamento), até percebemos que se calhar vale a pena olhar para esta expressão de nós mesmos, e tentar encontrar algum alívio na mesma. Até porque começa a ser moda, realizar determinados rituais em grupo ou individualmente, que de espiritual só têm o nome... E porquê?? Pela simples razão de apelarem à descontínuidade do Todo, e apenas servirem como desculpa, para "verdadeiramente" estarmos a tentar fazer algo para mudar a rotina amarga a que chamamos vida, pois seria demasiado descabido que, após nos apercebermos que realmente isto não é o que queremos para nós, continuarmos viciados nesse jogo. Mas a verdade é que inconscientemente é exactamente isso que fazemos... Continuamos lá fora, no meio de um complexo e mais refinado jogo de ilusão, que nos mantém afastados do único lugar onde existe a verdadeira Paz. Dessas formas de expressão, só serão positivas aquelas que nos retiram obstáculos até ao vislumbre da entrada, mas nunca podendo obrigarnos a dar qualquer passo em frente, e muito menos inventar entradas ilusórias que apenas nos levam de volta à realidade pré-existente (apesar de uma forma disfarçada), substituindo as crenças que nos servem de base, por outras igualmente ilusórias... Voltamos ao tal movimento circular que caracteriza a nossa experiência neste planeta...
Fica sempre a nosso cargo a abertura daquela única porta que existe no nosso coração... Aí temos definitivamente de abraçar corajosamente o mergulho até ao nosso âmago, para que em total individualidade e silêncio, encontremos a unidade do Amor Incondicional... Nunca podemos parar antes, pois nada terá sido alcançado, a não ser desculpas de mau pagador e algumas histórias de café!!
No momento em que nos tocamos a nós próprios, não existe maneira de continuarmos a ser os mesmos actores desta peça teatral, pois a claridade e compreensão absolutas da Verdade Existencial, não o permite de outra forma, sendo totalmente descabido voltarmo-nos a afastar do único modo de estar na vida que é o AMOR INCONDICIONAL...
Não existe mais nada para além DELE, e apenas ELE pode transformar a nossa vida de maneira absoluta e verdadeira... NÃO EXISTE OUTRA FORMA!!!!!! Tudo se dissolve... É altura de nos deixarmos de desvios e atirar-nos para o abismo da Existência... Pela Iluminação...

Com AMOR

terça-feira, 21 de julho de 2009

Mas o barulho é tanto...

Que barreiras são estas que me impedem de crescer, me limitam o movimento e contêm a explosão. Apenas as consigo vislumbrar, mas nunca lhes tocar, pois escapam-se entre os dedos, como as ondas do mar...
O ruído retrai-me e o movimento impede-me de parar, sempre à espera de uma oportunidade para me fazer andar.
É como se o mundo gritasse de sofrimento, sem o que o queiramos perceber, apenas nos deslumbrando com aparências e tudo o que reluz.
A minha tendência é o silêncio, o refúgio, pois apenas nesse momento sinto o bater do coração. É o silêncio eterno e toda a sua solidão, onde a luz de uma vela revela a união.
Mas como consigo juntar ambos os lados da moeda?
Como misturar o fundo pacifico do oceano, com a turbulência da superfície?
Como unir o centro e a periferia do tornado?
Percebo que um não pode existir sem o outro, que apenas fazem sentido como o todo...
Mas como custa fazer essa ligação, apesar de apenas assim podermos experienciar a existência na sua totalidade!! O ponto de equilíbrio, a sustentação... Como é tão fácil na natureza e tão difícil em nós... Ou talvez não!
Como aqui chegá-mos??
Como voltamos para trás??
Como dissipamos as nuvens que nos preenchem o céu azul??
A chave está sem dúvida na individualidade e no seu equilíbrio consciente. No conseguirmos desidêntificarmo-nos com aquilo que nos foi ensinado como a mais pura das verdades e conseguirmos olhar para trás do pano, do ecrã...
Toda a transformação começa por aí! Depois virá tudo o resto, pois não será possível a sobrevivência de um sistema montado sobre o desequilíbrio e separação do indivisível... Pura ilusão que nos rege a vida...
Pura estupidez a nossa de olharmos sempre para o lado e deixarmos que nos impinjam sistemas de crenças que apenas servem para nos controlar...
E como é forte esse vórtice, chupando a vida para o seu ventre...
Temos que estar conscientes a cada momento... Simples testemunho... Não existe outra forma...

Mas o barulho é tanto...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Observo

Observo a ilusão, mas não a tolero. Observo a condição de participante activo na viagem pelo mundo, o momento fugaz de transformação da verdade em pura falácia. Dirijo a atenção para o testemunho atento do momento presente, mas não corro atrás dele. Fico imóvel. Observo os elementos dançando ao som da mesma música, sem pressas ou objectivos. Respiro o ar que é parte da vida, sem pretextos para vir a ser algo diferente. É apenas isso e nada mais... Um nada onde tudo está presente, sem nenhuma ausência, sem concorrência ou intransigência... Viver cada gesto como o primeiro, ausente, mas ao mesmo tempo tão presente. Consciente no observar, sem rodeios ou pretensões, atento à demência e ao seu estado de ilusão.
Sou a folha que caminha pela brisa de outono, e que segue descontraída para sitio nenhum... Sigo o caminho sem caminho do reencontro desejado, e nunca sou nada mais que a demonstração da plenitude da vida. Sigo ausente de sentido e pleno de amor... Flutuo

segunda-feira, 13 de julho de 2009

E depois?

Realmente não sei o que vem depois! Não sei o que vou fazer, como o vou fazer, nem sequer aonde o vou fazer... Simplesmente não sei... Por vezes dou por mim a criar novas expectativas acerca de algo que penso poder ser o depois... E com isso desiludo-me novamente... O não saber simplifica tanto a vida, dá-lhe um novo perfume, um novo sentido...
Mas como me custa confiar! Existem sempre mil e uma razões para não o fazer, para me colocar no controlo do barco, para ser o mestre da embarcação... Ou assim o penso... pois o controlo é algo que me escapa totalmente, independentemente de pensar exactamente o contrário.
Mas isso pode ser muito bom, pois apenas me tenho que deixar de identificar com a fonte controladora. A vida segue no caminho oposto do controlo... Quanto mais penso que a possuo, mais ela me foge. A vida apenas pode existir quando confio, quando não existe controlo! Aí ela desabrocha como uma linda flor, e Deus torna-se realidade... Mas apenas aí! Apenas aí se mostra o amor, na forma de consciência e extâse... Nunca antes!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Grito de Liberdade

A quem se interesse,

O meu nome é Pedro, tenho 36 anos e sou pai de um menino com 3 anos de idade. Antes de tudo, quero mencionar, que o facto que me traz perante estas linhas, não se remete a um qualquer tipo de simples desdizer, mas a uma tentativa de libertação definitiva, de alguma angústia que teima em se manter agarrada ao meu corpo.
Posso ser considerado um típico português, classe média, que nunca passou reais necessidades, e que pautou a sua vida por um recorrer de procedimentos, comuns a todos nós que vivemos dentro de uma sociedade, e cuja educação serve apenas de veículo para uma mais fácil aceitação dos mesmos. Não que ache que isso esteja errado… ou certo! É simplesmente um facto comprovado da vida.
Um dos pilares, que sempre considerei muito importantes para uma boa sustentação individual e familiar, é o trabalho. Empreender, lutar, amar a camisola, para poder vencer. Poder ser alguém dentro do nosso mundo, poder proteger os que nos são próximo das agruras da vida, poder garantir-lhes um projecto de vida e, dar-lhes uma hipótese de sobreviver. Comprar através da labuta e abstracção, o futuro dos outros. Podemos sempre comentar, que ninguém nos obriga a tomar decisões e que estas apenas dependem de cada um… mas o facto é que, para a maioria dos mortais, a teia de regras em que vivemos dificilmente nos deixam outras alternativas, tanto pela ilusão criada, como pela falta de condições para seguir outros caminhos. Mas a malta até aceita tudo isto de “peito feito”, desde que vá havendo para as coisas mais triviais. Vamos andando, tipo o burrinho atrás da cenoura ou o cão atrás da cauda!!
Mas chega daí um dia, em que o raio da realidade nos bate à porta. Sem grandes alaridos, entra-nos pela casa dentro e começa a tomar conta do nosso dia a dia… Devagarinho, e da pior maneira, começamos a ter consciência, que afinal aquela almofada virtual que nos colocaram nas costas, para nos manter mais confortáveis, é mais dura do que parecia anteriormente, e aquela fundação feita com tanto suor, era apenas de lama e água. E é aí, quando o topo começa a ruir e tudo começa a ser questionável, que sentimos o sabor a fel, da nossa estupidez e falta de alcance.
Mas como podemos nós imaginar a abrangência de tanto egoísmo, narcisismo e pura ganância, que corrói os nossos líderes e gestores, a nível global? Como se constroem impérios mundiais, na base de um grande NADA? Como se brinca com a vida de cada um de nós, e depois nos deixam ao abandono, enquanto os grandes responsáveis continuam impunes e despreocupados com o seu futuro? Iludem-nos com promessas envenenadas e depois simplesmente tiram-nos o tapete e deixam a base mais frágil, à mercê da intempérie, como justificativo para uma saúde financeira das mesmas instituições que não souberam portar-se como verdadeiros veículos para o nosso bem-estar geral.
Por vezes sinto-me quase um ladrão, um aldrabão, que tenta perante as instituições estatais e financeiras, arranjar um meio de me manter a mim e a todos os que trabalham comigo, à tona da água. Como se andasse a pedir algo que não me pertence e que me foi retirado por justa causa, por um sistema que me culpabiliza e pune da forma mais brutal, por não ter sabido gerir as empresas por que sou responsável. Insanidade mental !!!!!!! Eu deixei de viver a minha vida, por troco da sustentabilidade de um tecido empresarial que alimenta o mundo, e por meros conceitos de qualidade de vida que me foram impingidos… Descartei os únicos valores que significam algo, por um objectivo que julguei comum, mas que afinal era só meu. Nunca retirei mais do que devia, vivo num apartamento médio, nunca fiz grandes viagens, nunca comprei grandes luxos, nunca descapitalizei as empresas para me auto-promover, como fazem todos os “grandes gestores” e que depois ainda recebem indemnizações pelo mau trabalho, sem quaisquer responsabilização pelo mesmo. E mais gravoso ainda é, o facto de usarem o nosso dinheiro para tapar buracos deixados por esses “senhores”, nas tais instituições que me consideram um criminoso, quando lhes recorro em auxílio. Já pensaram em perguntar-me se estou de acordo com isso? Quando me “surripiam” dinheiro das contas, debaixo dos mais estapafúrdios justificativos, também nunca me dão oportunidade de contrapor. Leva-me a concluir que a nossa opinião sobre estas coisas, não interessa a ninguém, pela nossa transparência, mas também pelo facto de o nosso único papel ser o de dar ao cabedal, para alimentar a MÁQUINA TRITURADORA! Tantos impostos que pagamos para um ESTADO, que depois nos dá muito pouco e ainda por cima nos massacra, quando nestas alturas lhe pedimos um pouco mais de abertura e menos rigidez nas cobranças feitas, ao que nos responde com um enterrar da biqueira da sua bota nos corpos que já jazem moribundos. Nem sequer respeitam as dívidas que têm aos privados!!!!!!!!! E depois é ver a classe política em duelos de esgrima, mais interessados em não estragarem os trajes que exibem ou de perderem a pose que apresentam, do que tentarem resolver o que quer que seja, relacionado com a nossa vida banal, de meros fantoches presos aos fios que nos dão vida.
E assim se vão passando os dias, hora após hora, minuto após minuto, tentando navegar sem meter água.
Mas quero deixar muito claro, que no final de cada dia ainda consigo agradecer pela oportunidade que me está a ser dada pela vida, de aprender a não cometer os mesmos erros no futuro, e só espero ter forças e coragem suficiente para nunca mais perder o meu tempo com objectivos ocos, e poder me dedicar a tirar prazer real da vida, e a um projecto que realmente deixe no meu filho, uma herança de moralidade, solidariedade e amor, por nós e pelos outros seres deste planeta.

Paz

terça-feira, 1 de julho de 2008

Ode ao Sofrimento

Olho para ti e contemplo-me.
Vejo a minha alegria nos teus olhos
Choro!
A água afaga-me o rosto
Molha-me o ventre.
Deixo-me levar...
Já não sou gente,
Sou o carrasco de mim
Escondo-me no escuro.
Desisti...
Perco-me sozinho na dor
Cobarde por não lutar
Grito de raiva
Louco por desconhecer,
Que o eu em mim
Nunca esteve em ti!