Que barreiras são estas que me impedem de crescer, me limitam o movimento e contêm a explosão. Apenas as consigo vislumbrar, mas nunca lhes tocar, pois escapam-se entre os dedos, como as ondas do mar...
O ruído retrai-me e o movimento impede-me de parar, sempre à espera de uma oportunidade para me fazer andar.
É como se o mundo gritasse de sofrimento, sem o que o queiramos perceber, apenas nos deslumbrando com aparências e tudo o que reluz.
A minha tendência é o silêncio, o refúgio, pois apenas nesse momento sinto o bater do coração. É o silêncio eterno e toda a sua solidão, onde a luz de uma vela revela a união.
Mas como consigo juntar ambos os lados da moeda?
Como misturar o fundo pacifico do oceano, com a turbulência da superfície?
Como unir o centro e a periferia do tornado?
Percebo que um não pode existir sem o outro, que apenas fazem sentido como o todo...
Mas como custa fazer essa ligação, apesar de apenas assim podermos experienciar a existência na sua totalidade!! O ponto de equilíbrio, a sustentação... Como é tão fácil na natureza e tão difícil em nós... Ou talvez não!
Como aqui chegá-mos??
Como voltamos para trás??
Como dissipamos as nuvens que nos preenchem o céu azul??
A chave está sem dúvida na individualidade e no seu equilíbrio consciente. No conseguirmos desidêntificarmo-nos com aquilo que nos foi ensinado como a mais pura das verdades e conseguirmos olhar para trás do pano, do ecrã...
Toda a transformação começa por aí! Depois virá tudo o resto, pois não será possível a sobrevivência de um sistema montado sobre o desequilíbrio e separação do indivisível... Pura ilusão que nos rege a vida...
Pura estupidez a nossa de olharmos sempre para o lado e deixarmos que nos impinjam sistemas de crenças que apenas servem para nos controlar...
E como é forte esse vórtice, chupando a vida para o seu ventre...
Temos que estar conscientes a cada momento... Simples testemunho... Não existe outra forma...
Mas o barulho é tanto...
terça-feira, 21 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Observo
Observo a ilusão, mas não a tolero. Observo a condição de participante activo na viagem pelo mundo, o momento fugaz de transformação da verdade em pura falácia. Dirijo a atenção para o testemunho atento do momento presente, mas não corro atrás dele. Fico imóvel. Observo os elementos dançando ao som da mesma música, sem pressas ou objectivos. Respiro o ar que é parte da vida, sem pretextos para vir a ser algo diferente. É apenas isso e nada mais... Um nada onde tudo está presente, sem nenhuma ausência, sem concorrência ou intransigência... Viver cada gesto como o primeiro, ausente, mas ao mesmo tempo tão presente. Consciente no observar, sem rodeios ou pretensões, atento à demência e ao seu estado de ilusão.
Sou a folha que caminha pela brisa de outono, e que segue descontraída para sitio nenhum... Sigo o caminho sem caminho do reencontro desejado, e nunca sou nada mais que a demonstração da plenitude da vida. Sigo ausente de sentido e pleno de amor... Flutuo
Sou a folha que caminha pela brisa de outono, e que segue descontraída para sitio nenhum... Sigo o caminho sem caminho do reencontro desejado, e nunca sou nada mais que a demonstração da plenitude da vida. Sigo ausente de sentido e pleno de amor... Flutuo
segunda-feira, 13 de julho de 2009
E depois?
Realmente não sei o que vem depois! Não sei o que vou fazer, como o vou fazer, nem sequer aonde o vou fazer... Simplesmente não sei... Por vezes dou por mim a criar novas expectativas acerca de algo que penso poder ser o depois... E com isso desiludo-me novamente... O não saber simplifica tanto a vida, dá-lhe um novo perfume, um novo sentido...
Mas como me custa confiar! Existem sempre mil e uma razões para não o fazer, para me colocar no controlo do barco, para ser o mestre da embarcação... Ou assim o penso... pois o controlo é algo que me escapa totalmente, independentemente de pensar exactamente o contrário.
Mas isso pode ser muito bom, pois apenas me tenho que deixar de identificar com a fonte controladora. A vida segue no caminho oposto do controlo... Quanto mais penso que a possuo, mais ela me foge. A vida apenas pode existir quando confio, quando não existe controlo! Aí ela desabrocha como uma linda flor, e Deus torna-se realidade... Mas apenas aí! Apenas aí se mostra o amor, na forma de consciência e extâse... Nunca antes!
Mas como me custa confiar! Existem sempre mil e uma razões para não o fazer, para me colocar no controlo do barco, para ser o mestre da embarcação... Ou assim o penso... pois o controlo é algo que me escapa totalmente, independentemente de pensar exactamente o contrário.
Mas isso pode ser muito bom, pois apenas me tenho que deixar de identificar com a fonte controladora. A vida segue no caminho oposto do controlo... Quanto mais penso que a possuo, mais ela me foge. A vida apenas pode existir quando confio, quando não existe controlo! Aí ela desabrocha como uma linda flor, e Deus torna-se realidade... Mas apenas aí! Apenas aí se mostra o amor, na forma de consciência e extâse... Nunca antes!
Liberto-me...
Liberto-me do pó... Liberto-me dos bloqueios que me preenchem a vida... Liberto-me da atitude comodista de não avançar mais um passo... Liberto-me do véu que subtilmente me mantém aconchegado na ilusão... Liberto-me das recordações do passado... Liberto-me do medo do futuro, da morte... Liberto-me da identificação... Liberto-me da estupidez... Liberto-me da cegueira...Liberto-me do elo de ligações irracionais... Liberto-me das expectativas... Liberto-me dos sonhos... Liberto-me do desconfiar... Liberto-me do agarrar... Liberto-me mim... Liberto-me para ti... Liberto-me...
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Desentendimento do AMOR
Maior parte das vezes que utilizamos a palavra Amor, fazemo-lo de forma inapropriada e totalmente descabida. Antes de tudo mais, todo o significado que queiramos incluir dentro dela, jamais representará a verdadeira essência do AMOR. Ao fazê-lo, estamos a criar amarras, fronteiras, formas, que limitam de maneira brutal, a natureza total do AMOR... Como consequência, se o podermos expressar por palavras, então é porque não o é!
Agora amo depois já não, amo-te a ti mas não aquele, amo-te assim e depois assado...
Dualidades... aquilo que nós conhecemos por Amor, mas que não o é...
O AMOR é a essência do Ser, e portanto não pode ser definido, apenas experiênciando em toda a sua abrangência, através de um libertar constante desse fluido, que inunda TUDO à nossa volta... Nesse estado, deixamos de existir enquanto Seres, para nos tornarmos em consciência pura.
Agora amo depois já não, amo-te a ti mas não aquele, amo-te assim e depois assado...
Dualidades... aquilo que nós conhecemos por Amor, mas que não o é...
O AMOR é a essência do Ser, e portanto não pode ser definido, apenas experiênciando em toda a sua abrangência, através de um libertar constante desse fluido, que inunda TUDO à nossa volta... Nesse estado, deixamos de existir enquanto Seres, para nos tornarmos em consciência pura.
Dualidade
A forma como somos educados desde o berço, por todas as pessoas e entidades que constituem a sociedade, empurra-nos para uma situação ilusória, onde a percepção da realidade é feita através da conjugação de uma infinidade de pontos, que quando agrupados, transmitem um mundo de dualidades. Assim, a forma como definimos tudo à nossa volta através de opiniões, pontos de vista, observações, análises, deduções, apenas espelham o conjunto de experiências dualisticas que nos caracterizam desde que nascemos. Até a forma como nos expressamos, através de palavras, sejam elas escritas ou faladas, representa uma abordagem demasiado linear, para que possam açambarcar a verdadeira natureza da realidade. O verdadeiro significado de uma palavra, apenas poderá ser explicada pela palavra oposta, o que por si só define a inconsistência das mesmas para mostrarem a verdadeira existência. Apenas poderão transmitir uma abordagem (de uma infinidade delas) dos diversos aspectos da vida. O facto da realidade ser reduzida a interpretações simbólicas da mesma, origina que nada possa existir se não puder ser apresentada de forma a poder ser interpretada por nós. Criam-se constantemente barreiras que delimitam algo, e para além das quais esse algo não existe. Barreiras que delimitam pontos, e sem as quais não conseguimos percepcionar nada.
Uma das grandes questões é como nos desligar desse programa que nos limita de forma tão dolorosa. Toda a dor do Mundo, quer seja ela física, psicológica, espiritual, pode ser expressa por esse condicionalismo que nos afasta da fonte, e da essência de nós próprios enquanto parte do todo, do Amor...
Uma das grandes questões é como nos desligar desse programa que nos limita de forma tão dolorosa. Toda a dor do Mundo, quer seja ela física, psicológica, espiritual, pode ser expressa por esse condicionalismo que nos afasta da fonte, e da essência de nós próprios enquanto parte do todo, do Amor...
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